Avenida Sapopemba é um dos pontos de SP com mais número de atropelamentos
quarta-feira, 21 de março de 2012A Zona Leste de São Paulo concentra quatro das cinco principais avenidas em número de mortes por atropelamento em toda a cidade. Segundo balanço feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) entre janeiro e outubro de 2011, a Avenida Sapopemba é a via com o maior número de casos – uma média de 7,6 mortes por mês.
A Avenida Marechal Tito aparece em segundo lugar, com uma média de 5,1 mortes por mês no período; a Avenida Ragueb Chofi teve índice de 4,3 vítimas fatais e a Avenida São Miguel registra média de 4,1 mortes por mês em toda a sua extensão. A única via fora da região entre as cinco primeiras é a Estrada do M’Boi Mirim, na Zona Sul, com média de 4,8 mortes por mês por atropelamento.
De acordo com Anardélio Ferreira Silva, motorista de ônibus de 39 anos, a falta de sinalização e os problemas constantes com os faróis estão entre os principais responsáveis pela quantidade de acidentes na região. Silva, que opera em linhas que passam pela Avenida Sapopemba, diz que a região do terminal de ônibus é uma das áreas mais críticas.
“Ali tem atropelamento direto, principalmente quando o farol fica piscando. Aí ninguém sabe o que fazer. Um espera o outro, aí quando um vai o outro também vai e sempre acaba acontecendo acidente”, conta Silva. “E os pedestres acabam sendo atropelados.”
Indaiá Michelle, frentista de um posto da avenida, diz que uma vizinha foi uma das vítimas de atropelamento na via. “Ela estava atravessando em frente ao Batalhão de Polícia [na altura do número 6.600 da via]. Aí veio um carro e a atropelou. Mas ela estava fora da faixa”, diz Michelle, ressaltando outro problema recorrente na avenida.
O polidor de carros Antônio Francisco Zupper também faz o alerta. “Se você ficar dez minutos parado, você vai ver cada coisa. Tem gente atravessando em todas as partes, menos na faixa, que é logo ali”, diz Zupper, apontando para um cruzamento que fica a poucos metros do estabelecimento onde trabalha.
Sinalização
A falta de sinalização também contribui para a desorganização no fluxo dos pedestres. Próximo ao Largo de São Mateus, onde há o antigo terminal Sapopemba, funcionários da viação de ônibus relatam que a grande quantidade de pessoas na região – entrando e saindo de comércios da avenida e do próprio terminal – faz com que as faixas de pedestre não sejam procuradas pelas pessoas.
“Tinha que ter uma faixa bem aqui”, diz o motorista Silva apontando para um ponto onde pedestres atravessam com frequência, segundo ele. “Eles entram no terminal por aqui mesmo. A faixa é ali na frente, mas ninguém quer ir até lá. E aí os motoristas não estão nem aí, né? Por isso acontecem os acidentes”, explica.
Fatalidades também já foram registradas na via. Anderson Ricardo de Abreu, 34 anos, frentista de outro posto da Avenida Sapopemba, conta que, no final do ano passado, um cliente abasteceu o carro no estabelecimento e saiu com o carro. Alguns metros à frente, após uma curva, ele bateu em um carro que estava parado na via.
“Ele fez a curva e não viu o carro, aí bateu. Só que o carro estava parado ali porque tinha quebrado, e o motorista estava na frente, vendo o que havia acontecido”, conta Abreu. Após o impacto, o homem acabou sendo atropelado pelo próprio carro. Segundo o frentista, ele chegou a ser socorrido com vida, mas morreu no hospital.
Prevenção
A CET diz que a partir do mês de abril terá início a quarta fase do programa de proteção ao pedestre na capital paulista. De acordo com a companhia, as vias que tiveram os maiores índices de 2011 serão as mais privilegiadas nesta fase.
Na manhã de sexta-feira (16), encontramos um dos grupos contratados pela Prefeitura para orientar os motoristas e pedestres nas ruas. A equipe estava no Largo de São Mateus, na entrada da Avenida Raguebi Chofi – a quarta colocada em 2011.
Segundo Yara de Carvalho Almeida, que atua no grupo, desde que começou a trabalhar na região, nenhum atropelamento foi registrado. “Estou aqui há mais de um mês, eu estava no bairro de Itaquera e me mandaram para cá. Desde que cheguei aqui, graças à Deus, não houve nenhum atropelamento”, diz. O grupo trabalha na região diariamente das 8h30 até as 14h15.
A Campanha de Proteção ao Pedestre teve início em maio de 2011 na capital paulista. Os técnicos da CET foram orientados a não só fiscalizar, mas também evitar que as infrações aconteçam. Em balanço divulgado em agosto do ano passado, a companhia diz ter registrado uma queda de quase 70% no número de acidentes em 35 cruzamentos das regiões central e da Avenida Paulista após o início do programa.
Fonte: G1
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